Um medicamento genérico é definido como um medicamento com a
mesma substância ativa, forma farmacêutica, dosagem e com a mesma indicação que o medicamento original, de marca. Importante
saber que, por conta dessas semelhanças, a troca do medicamento de referência
pelo genérico é possível
Os genéricos
são mais baratos porque os seus fabricantes, ao produzirem medicamentos após
ter terminado o período de proteção de patente dos originais, não precisam
investir em pesquisas e refazer os estudos clínicos que dão cobertura aos
efeitos colaterais, que são os custos inerentes à investigação e descoberta de
novos medicamentos, visto que estes estudos já foram realizados para a
aprovação do medicamento pela indústria que primeiramente obtinha a patente.
Assim, podem vender medicamentos genéricos com a mesma qualidade do original
que detinha a patente a um preço mais baixo. Portanto, os
medicamentos genéricos permitem o acesso da população a tratamentos por um
custo até 35% menor do que os chamados medicamentos de referência ou de grife –
aqueles que ainda são protegidos por patente e, em geral, são distribuídos
apenas pelo fabricante que o desenvolveu.
A produção de medicamentos genéricos dá-se, por exemplo,
quando a patente expirou, visto que a expiração de uma patente retira o
monopólio do detentor da patente sobre o licenciamento de venda de drogas.
Importante ressaltar que a vida de patentes difere de país para país e,
normalmente, não há nenhuma maneira de renovar a patente após sua expiração.
Ocorre, entretanto, que, empresas de marcas de drogas têm
utilizado uma série de estratégias para estender o período de exclusividade de
mercado de seus medicamentos e evitar a concorrência dos genéricos. Grandes
empresas farmacêuticas gastam, muitas vezes, milhões de dólares para proteger
as suas patentes da concorrência.
Atualmente, com a ascendência global da epidemia de AIDS,
por exemplo, drogas genéricas passaram a ser uma alternativa crucial, frequentemente
salvadora vidas, para os caros medicamentos patenteados (Petryna, Lakoff, e Kleinman
2006; van der Geest e Reynolds Whyte 1988).
Existe, porém, uma polêmica relevante sobre os genéricos:
alguns médicos têm relatado falhas na eficácia de medicamentos genéricos, além
de questionarem a lei que regulamenta esse setor. Um
exemplo disso foi que a Anvisa suspendeu a venda da isotretinoína genérica
fabricada pelo laboratório indiano Ranbaxy (remédio é usado contra acne grave).
A medida foi tomada depois que a Vigilância Sanitária de São Paulo avaliou
alguns lotes do medicamento: “A análise mostrou que o produto tinha problemas
de dissolução e de absorção no corpo”, conta Tamico Oguri, da Vigilância
paulista.
Outra situação foi a vivida pelo
cardiologista José Ramires, diretor do Instituto do Coração de São Paulo (Incor).
No ano passado, ele receitou o genérico enalapril, contra a hipertensão, para
dez pacientes. Em vários, a pressão arterial aumentou e só foi controlada
quando os pacientes recorreram ao remédio de marca.Após o resultado, Ramires passou
a desconfiar da qualidade de alguns genéricos e afirmou: “Sou favorável à
política de genéricos, mas após esse episódio sinto mais confiança em
prescrever remédios originais na minha receita particular”. Atualmente, por
esse motivo, Ramires receita os genéricos apenas no Incor (os hospitais
públicos são obrigados a receitá-los).
Outra falha foi registrada pelo
médico Fadlo Fraige Filho, diretor da Associação Nacional de Assistência à
Diabete. Ele usou o enalapril genérico para tratar diabéticos hipertensos. Afirmou
após o teste que várias vezes não funcionou e que, por isso, não receita mais.
O nefrologista Artur Beltrame, presidente do Hospital do Rim, de São Paulo,
também já enfrentou complicações com o genérico enalapril e decidiu que é
preciso ficar atento ao receitar essas drogas.
Conforme determina a lei que
regulamenta a comercialização desses remédios no Brasil, antes de chegarem ao
mercado os produtos devem passar por dois testes para que seja verificado se
possuem eficácia igual à do medicamento de marca: o teste de biodisponibilidade
– no qual é averiguado se a droga está sendo metabolizada no corpo de
voluntários – e o teste de bioequivalência – em que é analisado se a substância
ativa do genérico é liberada na mesma velocidade e quantidade que o de marca.
No entanto, supostas falhas nessa legislação acabam provocando a ineficácia do
procedimento.
E você, o que pensa sobre o uso de
genéricos?
http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v38n4/v38n4a04.pdf
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| Uso de Isotretinoína: antes e depois |
OBS: A isotretinoína,
quimicamente conhecida como ácido 13-cis-retinóico, faz parte do grupo de
compostos relacionados à vitamina A. É empregada no tratamento da acne grave e
como inibidor da proliferação de células neoplásicas, por regular a
diferenciação celular. Os efeitos adversos envolvendo seu uso relacionam-se à
pele, às membranas mucosas, ao sistema nervoso, ao músculo esquelético,
linfático, gastrintestinal, cardiorrespiratório e geniturinário. A acne
aparece, habitualmente, na puberdade, quando a estimulação androgênica promove
a hiperprodução de sebo, como hiperqueratinização folicular, colonização por
bactérias gram-positivas e inflamação local. Essas bactérias provocam uma
resposta inflamatória através da síntese de substâncias extracelulares, como
lipases, proteases e hialuronidases.


Além das justificativas apresentadas sobre o motivo do preço dos genéricos ser menor, vale destacar que os genéricos não possuem uma marca associada a eles, ou seja, não necessitam investir em propagandas ou recursos de marketing; fato que contribui para a diminuição do preço do medicamento. Outro ponto importante a se discutir é a situação de concorrência criada com o advento dos genéricos: esses medicamentos passam a concorrer com os medicamentos de referência e isso vai, aos poucos, levando os donos dos medicamentos de marca a procurar medidas para baratear os custos da produção de seus medicamentos. Dessa forma, pode ocorrer uma diminuição dos medicamentos não genéricos e isso contribui para o acesso da população em geral a esses produtos. Por fim, é importante avaliar o papel da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) na fiscalização da intercambialidade entre o medicamento de referência e o medicamento genérico. Essa intercambialidade é, como dito na postagem, feita através dos testes de bioequivalência e biodisponibilidade e ela resulta na decisão, por parte da ANVISA, da aceitação ou não da venda do medicamento genérico como um substituto do medicamento de referência.
ResponderExcluirUsufruir de patentes vencidas para fabricar medicamentos mais baratos é algo fantástico. Garante maior acessibilidade ao tratamento de doenças enquanto deixa um impacto muito pequeno no mercado de remédios de marca. No entanto, o entendimento dos medicamentos genéricos tem que ser amplamente difundido pela nossa sociedade. Não é raro encontrar pessoas que pensam que a eficiência do genérico é inferior a do medicamento de marca. Mostrar que as substâncias químicas presentes em um também está presente no outro é fundamental para uma democratização do uso de remédios. O texto está muito bom, mas senti falta de um histórico sobre a implantação desse tipo de medicamento aqui no Brasil.
ResponderExcluirOs medicamentos constituem um dos itens de maior gasto na renda familiar e gasto público, e um dos mais importantes instrumentos no suporte às ações de saúde, sem os quais os sistemas de saúde tornar-se-iam inviáveis. A ideia sobre a produção de genéricos se mostra benéfica no sentido de representar uma atitude a favor da saúde e da libertação das amarras capitalistas. Somando-se o fato de 35 bilhões de dólares em patentes de medicamentos expirarem nos próximos anos ao aumento nos custos de saúde, tem-se o cenário perfeito para a adoção de medicamentos genéricos, principalmente pelas famílias de menor renda. Entretanto, é preciso regularizar a produção e a qualidade de tais medicamentos para que não apresentem falhas como as apresentadas no post. Os genéricos são, afinal, alternativa à saúde,e não outro fator de seletibilidade de renda.
ResponderExcluirA introdução dos medicamentos genéricos no Brasil, em 1999, foi de extrema importância para garantir o acesso da população a tratamentos médicos que com os medicamentos originais ficariam muito caros. Apesar de alguns deles ainda passarem pelos testes apresentando falhas, não se deve desconsiderar os benefícios que os genéricos representam. É preciso garantir que a ANVISA tenha rigidez nos seus testes para que os genéricos que cheguem às farmácias possam de fato ser equivalentes aos medicamentos originais. Além disso, deve-se restringir os meios que as grandes empresas encontram para adiar suas patentes, visto que, a opção de medicamentos mais baratos é um determinante crucial para uma vida mais saudável de boa parte dos brasileiros.
ResponderExcluirOs remédios genéricos, assim como o próprio nome supõe, vieram como uma forma de remédios de alto preço chegarem à população. Mas seria eticamente correto permitir as classes mais carentes sofrerem mais riscos com a ingestão de drogas medicinais do que as mais abastadas? Desse ponto de vista, não. Os genéricos mostram-se sim uma forma de permitir uma maior abrangência dos medicamentos, tanto que, possivelmente, todos que estão lendo esse comentário possuem um remédio genérico em casa. No entanto, ao meu ver, é um risco.
ResponderExcluirÉ interessante observar como os genéricos ainda são alvos de preconceito pela população. Meu pai é farmacista, e pode parecer irônico, mas a maioria dos clientes que têm esse pensamento são pessoas pertencentes às classes menos abastadas. Fato esse lamentável, já que as falhas apresentadas por alguns deles, não desmerecem o todo, nem os benefícios trazidos por eles.
ResponderExcluirUm medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem e com a mesma indicação que o medicamento original, de marca. E principalmente, são intercambiáveis em relação ao medicamento de referência, ou seja, a troca pelo genérico é possível. É mais barato porque os fabricantes de genéricos, ao produzirem medicamentos após ter terminado o período de proteção de patente dos originais, não precisam investir em pesquisas e refazer os estudos clínicos que dão cobertura aos efeitos colaterais, que são os custos inerentes à investigação e descoberta de novos medicamentos, visto que estes estudos já foram realizados para a aprovação do medicamento pela indústria que primeiramente obtinha a patente. Assim, podem vender medicamentos genéricos com a mesma qualidade do original que detinha a patente a um preço mais baixo.
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